terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Agentes de trânsito




  • Ao andar pelas ruas de Itaquera e estendendo-se por São Paulo é possível perceber a presença de alguns "agentes" de trânsito espalhados pela cidade em locais estratégicos de travessia pública para orientação de pedestres e motoristas. Diante do meio social em que vivemos não é difícil imaginar o porquê desta atitude a partir das autoridades municipais responsáveis, mas é relevante pensar quanto às motivações e como são executadas tais atitudes.
    Como a grande maioria dos leitores devem ter conhecimento, estes agentes posicionam uma placa amarela na frente dos carros enquanto os semáforos estão "fechados", assim sugerindo ao pedestre a travessia com segurança. Não podemos negar que a atitude é valida, mas com certeza seria mais apropriada em locais sem sinalização. Não é preciso pensar muito para entender esta mobilização das autoridades, afinal a Copa do Mundo está próxima, é preciso "educar" nossos motoristas e pedestres para que tenhamos um bom convívio, e assim mostrarmos ao mundo o quanto somos "civilizados" e organizados em nossas cidades e bairros, uma vez que trabalhos semelhantes seguem se estendendo por outras cidades do Brasil, portanto é preciso fazer bem a lição de casa, e se comportar como bons meninos que somos.
    No entanto é preciso ter consciência de que isto é um processo complexo, que exige primeiramente uma conscientização que a grande maioria das pessoas não possui. Motoristas, motoqueiros e pedestres simplesmente "disputam" seu espaço na selva de pedra das grandes cidades. Recentemente presenciei uma cena, no mínimo, intrigante. Enquanto eu aguardava o semáforo abrir para o pedestre, um casal, ao qual a mulher estava grávida, mesmo diante do ritmo frenético dos carros em uma rua movimentada do bairro, simplesmente estendeu a mão e iniciou a travessia, atitude que quase causou um grave acidente. E como julgar esta atitude, se a nova ordem é parar o carro diante da mão direcionada. Os responsáveis por projetos como estes precisam encarar a dimensão e as consequências de tais projetos, uma vez que, trata-se de um processo lento, e não são algumas placas esticadas na frente dos motoristas que ensinarão os mesmos a respeitar tais procedimentos e achar natural o desrespeito à sinalização a qual está habituado desde sempre! É necessário o reconhecimento de que este trabalho deve ser encarado como o conhecido processo "formiguinha", contendo uma conscientização em médio prazo para que seja ampla e eficaz, mas principalmente com o reconhecimento por parte da sociedade de que pedestres e motoristas só tendem a ganhar a partir de tais modificações de comportamento, não dá para simplesmente empurrar pela garganta da sociedade paulista e brasileira as necessidades urgentes geradas sob as expectativas de um único evento, são necessárias atitudes relevantes para a sociedade brasileira pós-evento, assim proporcionando usufruto benéficos e permanentes para o futuro.
    A copa do mundo de 2014 deve ser utilizada como incentivadora de vários processos de renovação social, não como causa única de mudanças provisórias, é preciso contribuir para sociedade em suas bases estruturais, ou seja, na educação, crianças e jovens devem ser conscientizados de tais indicadores de respeito aos cidadãos brasileiros, devem ser aplicadas as novas gerações campanhas positivas e eficazes em âmbito social. É preciso semear o presente para se colher bons frutos no futuro.




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