quinta-feira, 7 de março de 2013

E quem são os Loucos?

Dentre tantas definições para a palavra “Louco”, me encarrego de citar “estar fora da realidade”, ou não fazer uso devido da razão como definições interessantes, afinal o que seria a “razão” na sociedade atual? A morte do cantor e compositor Chorão, da banda Charlie Brown Junior, e suas letras podem nos conduzir a muitos pensamentos e a loucura por vezes enfatizada como algo negativo pode ser um modo de fugir da realidade que não entendemos ou aceitamos.

Dono de um talento admirável para compor canções fora do trivial, Chorão refletia em suas composições e proporcionava a mesma sensação para o seu publico, assim repensamos as nossas próprias angustias, e afinal qual é a finalidade da arte se não provocar no ser humano a vontade de perceber a sua própria existência e conhecer e questionar o mundo a sua volta.

Assumidamente admiradora da banda, sempre me identifiquei com as letras de suas musicas, por vezes me via repetindo a mesma frase para tentar entender o que ele queria dizer. Chorão usava muitas frases fortes, de impacto, fator este marcante em sua carreira.

Chorão era apaixonado pela musica, arte que permitiu que ele expressasse tantos sentimentos e o possibilitou cantar a vida, conquistar seu publico e eternizar suas ideias, suas canções enriquece o repertorio de muitos jovens e adultos, a poesia contida em suas letras criticas expressavam bem a sua vontade de encontrar o que tantos buscam, o autoconhecimento, a percepção do mundo e o tão sonhado entendimento da humanidade.

Problemas? É claro que tinha, e quem não os tem? As suas musicas retratam isto com perfeição, a sua preocupação com as pessoas e questões sociais nos ilustravam a sua mente ativa e por muitas vezes conturbada.
As especulações vão acontecer, e as comparações serão inevitáveis, também seguirão uma serie de analogias entre outros compositores que como ele levantaram uma serie de questionamentos que contribuíram para fazer da musica brasileira um grande aparato de protestos, indignações e reflexões quanto a própria existência, politica e sociedade.

A musica brasileira perde um homem talentoso cheio de ideias, vontades e anseios, mas que também era humano e tinha as suas falhas, seus defeitos e seus conflitos internos.

É interessante perceber que por vezes esquecemos que morrer faz parte do processo de estar vivo, e ainda não nos acostumamos com isto, creio que isto é bom por um lado, significa que ainda não estamos completamente alheios às outras pessoas, principalmente quando estas pessoas conseguem de alguma forma fazer diferença no nosso dia a dia, Chorão por muitas vezes me fez perceber como eu podia ou não fazer certas escolhas e refletir sobre meus sonhos e vontades.

Se os loucos sabem, que continue a surgir loucos, que façam os “cheios de razão” perceber o que a rotina cotidiana não permite, que por muitas vezes “o medo cega os nossos sonhos”. Siga em paz Chorão e meus sentimentos a família e fãs.

Texto por: Grazy Nazario.

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