quinta-feira, 2 de maio de 2013

O trabalhador Objeto


Quem somos? Para onde vamos? E de onde viemos? São estas algumas das perguntas clássicas que caminham há muitos séculos com a humanidade, no entanto temos certeza mesmo é de onde estamos, e o que precisamos fazer. É claro que a filosofia e os estudiosos afins não se agradam muito com a praticidade cotidiana, mas isto também é necessário, é algo de que não podemos fugir. E o trabalho é sim uma delas.
O trabalho, como diz o velho ditado, enobrece o homem, e a mulher também é claro. Afinal como se sentem os desempregados? São aqueles que não ajudam em casa no sustento da família, como se não contribuíssem para a sociedade de forma alguma, é a exclusão de si mesmo, e inclusão nas estatísticas de desemprego, segundo alguns pesquisadores, o trabalho é vital para o ser humano não perder a fé em si mesmo.

Desde muito cedo somos açoitados por questões sociais indiscutíveis, o ato de ser “obrigado” a ir para a escola estudar é um deles. Ainda criança costumava questionar. Por que devo estudar? E por diversas vezes ouvi. “Para quando crescer ter um bom emprego, e conseguir as suas coisas”. Claro que não posso questionar os meus pais por tais explicações, e agradeço por ter sido cobrada, isto faz toda a diferença quando continuamos os estudos. Na verdade não sei muito bem que outra explicação seria melhor para uma criança curiosa de 8 ou 9 anos. Mas nunca me perguntaram o que me faria feliz fazer quando eu fosse adulta, na verdade creio que é uma pergunta muito difícil de responder, e que vamos descobrindo isto ao longo da vida.

Porém percebo de forma interessante a evolução do trabalhador como objeto, nunca objetivando entender ou aceitar o seu próprio valor sem se dar conta disso. Valor este que o outro lhe dá, e ele apenas concorda, pois a necessidade de viver o presente e pagar as contas habituais é mais importante do que qualquer outra coisa, inclusive de sorrir enquanto cumpre com as suas obrigações trabalhistas, alias já ouvi de conhecidos uma frase clássica: “Sou pago, e muito mal pago, para dar informações, sorrir não esta na cláusula contratual”.

No entanto penso ser contraditório falar do trabalho sem falar do amor, mas não menciono o amor a outra pessoa, mas o amor a si mesmo, ao trabalho e ao que se faz, afinal o trabalho nos impede de curtir bons momentos, somente pelo trabalho deixamos de ir a uma festa imperdível, ou na apresentação do filho na escola, até mesmo furar no primeiro encontro com aquela pessoa tão especial, o trabalho muitas vezes nos impede até mesmo de ir a um velório ou casamento, se o trabalho não for flexível, poucas pessoas se arriscam a perder o emprego, e se arriscar, depois podem pagar por difíceis consequências.
Claro que não é fácil encontrar isso, trabalhar no que ama e ser bem remunerado para muitos é melhor do que ganhar na loteria, é viver sorrindo a toa, é fazer aquilo que faríamos de graça, mas ganhamos bem para realizar.

Infelizmente o trabalho não é só prazer e amor, querer o bem, ou fazer o bem ou ser feliz ainda não é o suficiente para se viver bem, e por mais modestos que somos ou tentamos ser, o capitalismo esta presente até onde se protestam contra o que ele faz, isto eu não inventei, é um fato. Só não podemos fazer do trabalho um calvário, ele faz parte de um todo, não deve ser o “todo”, ou não terá significado, será mais um escravo de si mesmo.  

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