sábado, 25 de janeiro de 2014

O Paulistano e o Zé de todos os dias. – São Paulo 460 anos

Dois amigos se encontraram na praça no dia do aniversario de São Paulo.
- Oi Zé Antônio tudo bom?
- Tudo sim e você Zé Maria?
- Não to bem não Zé.
- Mas por quê? A nossa terra da garoa esta com o sol brilhando, vamos festejar o aniversario da nossa cidade.
- O que vamos comemorar de São Paulo? – Perguntou Zé Maria.
- Nossa. Muitas coisas – Disse o outro Zé satisfeito.
- Então me diga uma.
- Zé, São Paulo é a terra do trabalhador, aqui todos gostam de trabalhar, tem tudo pra se comprar a qualquer hora e tudo o que é possível se encontrar no mundo encontramos aqui.
- Zé Maria bufou:
- Não, você é ingênuo Zé. A realidade é outra, quem gosta de pegar o metro explodindo de gente, ganhar pouco e precisar sobreviver na cidade mais cara de se viver? Eu trabalho por que sou obrigado, queria mesmo ser herdeiro de algum milionário, de preferência que não pedisse falência.
- Você não esta fácil hoje Zé.
- Eu estou fácil, difícil é viver aqui. – Respondeu Zé Maria indignado.
- Mas por quê? – Perguntou Zé Antônio surpreso. – Olhe que dia lindo! Essa praça maravilhosa, os pássaros. Sampa faz 460 anos, claro que temos que comemorar.
- Então vou lhe dizer o que comemorar. - Zé Maria disse irritado. - Desde que sai da minha casa até chegar nesta praça central contei no mínimo 460 Zés.
- O que?
- Foi o que eu disse, na minha comemoração vou contabilizar todos os Zés da minha vida.
- Não entendi. Zés? – Perguntou Zé Antônio confuso.
- E o que seria isso homem?
- De onde eu venho é normal usar o “Zé” pra indicar alguém que você não conhece o nome. – Zé sorriu ironicamente.
- E daí? – Perguntou o amigo curioso.
- Contei desde que sai de casa, começando pelo Zé da faixa que não tem ônibus, o Zé dos buracos na rua, o Zé fofoqueiro que não para de falar da minha vida, o Zé fura olho que tentou “pegar” a minha mulher, o Zé da conta de Luz, da água, o Zé que roubou o meu celular quando eu estava a caminho daqui...
- Nossa é muito Zé mesmo. – concordou ele.
- Claro que sim, sem falar do Zé do condomínio e o Zé que não me paga em dia.
- Eu entendo a sua revolta meu amigo Zé Maria, mas temos que pensar no lado positivo das coisas.
- Claro que sim. – Ele sorriu ironicamente – Posso falar mais Zés?
Zé Antônio concordou com a cabeça.
- Temos também o Zé do mensalão, e o Zé do quartel do metro, o Zé do rolezinho, o Zé preguiçoso e o Zé que não usa fone de ouvido no ônibus.
- Caramba! Você me pegou agora. – Ele ficou pensativo. - Vindo pra cá de carro eu passei pela via que tem três sinalizações diferentes de quilometragem, acho que fui pego pelo Zé da multa.
- É isso meu amigo, você já entendeu o ritmo da brincadeira. – Disse Zé Maria ao bater em suas costas.
- Mas você encontrou os 460 Zés?
- Vichi Maria! Encontrei mais, pra uma cidade desde tamanho e com tanto dinheiro já ta sobrando Zé.
- Queria dizer mais um Zé, você me permite Zé Maria?
- Claro, fique a vontade a festa é nossa!
- O pior, o Zé idiota! Os contribuintes pra tudo isso funcionar. Vamos embora encher a cara no bar do Zé pra ver se esses outros descem mais fácil goela abaixo.

Por: Grazy Nazario. MTB. 74588/SP.


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