sexta-feira, 4 de maio de 2012

Poesia no tribunal

Diante da nossa habitual correria daria não é comum ouvirmos poesias. Pelo contrario, normalmente ouvimos palavras singelas, gírias, e por muitas vezes até grosserias no trabalho, transito, etc. As doces e belas palavras poéticas geralmente ficam de fora do nosso repertorio de convivência.

Nestes últimos dias me impressionei ao ouvir um amigo comentar sobre o recente nomeado presidente do STJ, Ayres Britto, e afirmou que o mesmo se trata de um autentico poeta, alias digno de publicações notáveis. Eu, como assumidamente apreciadora de poesias imediatamente me interessei pelo trabalho poético do ministro, e passei a fazer leituras sobre o seu trabalho fora do Tribunal Federal. Assim me surpreendi divinamente com as palavras leves e cabíveis do ministro que soam como doce sussurro em meus ouvidos, o que certamente emociona até os mais críticos e rancorosos leitores, logo me inspirei, “Ó quantas palavras belas em suas esferas, e quanto desencanto em seus desmandos”.

Brincadeiras à parte, inegável é o “peso” do cargo ocupado por Ayres Britto, e mesmo tendo consciência de que permanecerá por pouco tempo, o ministro tem muitos desafios ao ocupar o cargo mais alto do Judiciário brasileiro, entre eles o julgamento do mensalão, a cota para negros em universidades públicas, além de planos econômicos. Certamente terá muitos assuntos polêmicos para recitar, e grande variedade de palavras e expressões deverão ser utilizadas pelo ministro-poeta. Entretanto é interessante ressaltar que nem só de boas palavras preservamos uma nação e sua constituição, é necessário bons resultados e justiça real, já esta na hora do Brasil declamar justiça verdadeira para o seu povo. Espero que a imaginação incomum de Ayres em assuntos extremos e importantes para a evolução do país torne a leitura dos julgamentos, no mínimo, mais interessante, e permita ao brasileiro ouvir além de metáforas inebriantes resultados positivos para seu constante crescimento.

Em sua posse Ayres recitou algumas palavras encantadoras, não que as mesmas resolvam grandes problemas ou interfiram em resultados, mas é algo que difere do banal, se não cura, ameniza dores, amenos torna vaporosa algumas sensações maléficas, faz maravilhar os apreciadores e refletir os desiludidos cansados de tanta realidade vil.

Diante de tamanha aclamação poética oferto singelamente uma bela frase citada pelo ministro: “Não tenho metas ou objetivos a alcançar/ tenho princípios / e na companhia deles, não me pergunte aonde vou chegar”. Espero sinceramente que bons princípios carreguem também discernimento e bom senso nas linhas da literatura da justiça.


A poesia carrega além de palavras, novos sentidos e possibilita conhecimento interior do leitor, que se encanta e desencanta na amarga verdade cotidiana. Assim... “Podemos dizer que a vida não precisa ser uma eterna guerrilha, também pode ser mera poesia!”






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