domingo, 14 de julho de 2013

Cronicas da Vida Vivida! - O Poeta Vendedor

Em um dia de sol e calor um escritor de poesias tentava, como de costume, vender seus exemplares na esquina de uma movimentada avenida. Enquanto os carros paravam no semáforo oferecia o seu produto.
- Bom dia Senhor. Disse ele ao jovem rapaz.
- Pois não! – Respondeu o rapaz enquanto baixava o volume do som de seu belo carro esporte.
-Senhor meu nome é Antonio Palavra, escrevo poesias e queria lhe oferecer o meu livro, custa apenas...
- Para! Nem precisa continuar. Não gosto desta chatice não.  Muito obrigado senhor, mas não estou interessado.
- Tenha calma rapaz. Quem tem pressa, não ouve, não aprende e não aproveita a vida.
- Aproveitar a vida? Pois eu aproveito muito bem a minha vida e não preciso ler estas baboseiras que escreve.
- Mas como pode dizer isto de algo que não conhece? Aposto que nunca ouviu falar de nenhum poeta importante da literatura brasileira!
-Não conheço e nem quero! – O rapaz soltou uma gargalhada. - Meu senhor eu não quero atrapalhar o seu trabalho não, mas não me importa quem foi este ou aquele, ninguém gosta disso.
- Você esta errado! – Disse o poeta irritado. – Poesias é o clamor da alma, o estudo do tempo, a expressão da vida!
- Balela! Poesias servem apenas para os poetas.
- Como pode dizer isto sem nem mesmo conhecer Vinicius de Moraes ou Fernando Pessoa? Você é um ignorante cultural!
- E pretendo continuar sendo. Meu senhor, eu trabalho em uma maiores multinacionais do país, tenho o melhor carro, as melhores roupas e claro as melhores mulheres, nada me falta, o que este livro que não me serve de nada me acrescentaria?
- Misericórdia!
-Escute este som! Valeska Popozuda já ouviu falar? É o som do momento!
- Baixe este som! – Disse Antonio transtornado.
- Está bem senhor, eu me rendo. Me de este livro. Vinte reais paga? – Disse o jovem enquanto entregava o dinheiro e pegava o livro de sua mão.
O semáforo abriu e antes que o motorista pensasse em sair Antonio disse:
- Você é mesmo muito insensível, me devolva isto, não quero que seja apenas mais um livro empoeirado, você não merece ter uma de minhas obras.
O carro saiu cantando pneus. Ao chegar a calçada Antonio ouviu um mendigo dizer:
- Você errou ao não permitir que ele levasse o livro.
-Claro que não! Ele jamais iria ler.
-Eu sei, mas você teria seus 20,00, pouco importa se ele iria ou não admirar o seu trabalho, você foi tão vaidoso quanto ele. Alem disso, não adianta querer ensinar a quem não está disposto a aprender.
- Você pode ter razão.
- Aqui você não é um poeta, mas um vendedor de livros. – O mendigo sorriu.
 - Antonio das Palavras se encontra sem palavras.
- Então homem vá vender as suas obras. E não se esqueça, “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”*.

Texto Por: Grazy Nazario.

*Trecho de obra literária de Fernando Pessoa.

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