segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Doença Urbana

De tempos e tempos a sociedade se depara com novas doenças, inicialmente como surtos, logo se espalham até se tornarem epidemias sociais. Assim como atos impensados ou apenas desmedidos que desequilibram completamente qualquer estrutura social, colocam em xeque conceitos morais e enfraquece o que conhecemos como base familiar.

A estrutura familiar a cada dia mais frágil e sem referencias se desmancha gradativamente todos os dias, antes vista como ponto de equilíbrio e símbolo de segurança, hoje não conhece significados, perderam-se os valores de cuidados básicos e não estabelece confiança. Claro que são inúmeros os motivos que consolidam este novo modelo familiar, a começar pela doença mais severa chamada capitalismo e suas subseqüentes idealizações como o egoísmo, machismo, descrença, entre outros.

 A doença urbana não consiste apenas na desmaterialização familiar, o maior de seus problemas está no que causa isto, e nos danos individuais que vivemos e que se apresentam negativamente quando a convivência se torna coletiva. Na verdade muitos nem percebem causas, doenças ou sintomas, pois estão tão imersos nesta realidade que se abstraem e permanecem repetindo os mesmos danos a si mesmo e nas pessoas ao seu redor.

E como não estranhar ou se admirar com mortes trágicas e inexplicáveis que vão desde envenenamentos coletivos, chacinas à execução por asfixia. Estamos cercados por valores distorcidos de que dinheiro compra a liberdade e bons presentes garantem o amor. Na realidade urbana e carente, as oportunidades caem do céu cheias de oportunidades ilusórias, onde todos são de todos, mas ninguém é de ninguém, valores torpes se misturam à atitudes cruéis, e o respeito, este tão esquecido e ignorado, apenas inexiste, se distancia e torna-se em extinção na sociedade.

Muitos defendem a idéia do apocalipse, explicam utilizando como provas as escrituras sagradas, outros culpam o descaso com questões humanas devido ao capitalismo, alem de outras tantas teorias voltadas à estudos psicológicos e causas geradas pelas transformações sociais, e enquanto as teorias ganham números, a violência gratuita cresce sem freio, sem remédio, sem cuidados.

Os direcionamentos morais são distorcidos da pior forma possível, pais que deveriam cuidar e proteger mata seus filhos por um motivo ou outro, em outros momentos os dependentes que executam seus genitores. Talvez a falta de dinheiro seja a moeda da dignidade, e a desobediência com conseqüências “mal vistas” seja o fio condutor da insanidade, talvez falte tempo e instrução para pensar em si, e em algo diferente da ditadura da felicidade idealizada pelas mídias em geral, a cura pode estar dentro de cada um, quando se permite acreditar na própria essência, e no uso da razão.


Na nova era filhos não respeitam seus pais, e o dialogo tão pedido nas décadas anteriores chega na era contemporânea como intolerância de ambas as partes, assim a população é estimulada a considerar “normal” atrocidades contra o seu semelhante sendo de seu sangue ou não, na verdade acredito na extinção do Amor a vida e ao próximo, o DEUS contemporâneo se chama facebook ou twiter, são nestes lugares que se curti, comenta ou compartilha algo, na vida real, a imitação das frases feitas e felizes não cabem, e a ira do stress cotidiano explode em quem mais precisa de cuidados, assim se perde a vida, e se conquista o medo.                        

Por: Grazy Nazario.

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