quarta-feira, 15 de julho de 2015

Conto - Sem noção de obcessão

Da série. Mais um conto que eu conto 

 Sem noção de obsessão 

A garota não tinha ainda três anos completos, quando assistiu pela primeira vez uma apresentação de balé na televisão.  Sozinha, e sem ninguém pedir, Laís levantou do sofá e começou a ficar nas pontas dos pés, como se imitasse a dança na televisão, mirou o seu olhar aguçado na bailarina principal, vestida de rosa e de corpo esguio, tentou imitar de modo desajeitado a coreografia daquela canção, que achou simplesmente maravilhosa, e deu o primeiro sinal do que gostaria de fazer por sua vida, ou de sua vida.

A mãe Isabel, ficou encantada, bateu palmas para filha e gravou um pequeno vídeo, dos poucos momentos que conseguiu registrar. “Santa tecnologia”. – Disse a mãe, que já não era tão jovem para ter uma filha de 3 anos, e decidiu que matricularia a menina em uma grande escola de Ballet.
Isabel e o marido demoraram muito para conseguir ter um filho, já estavam juntos há algum tempo e nada de crianças, até que depois de um longo tratamento, Isabel engravidou, e aos 43 anos deu a luz à Laís, o xodó da casa. O pai Júlio, tratava Laís como um bibelô, já tinha idade para ser avô da garota, e tinha dois filhos de seu antigo casamento, mas Laís era seu tesouro, e deixava claro para a esposa que a menina devia ter de tudo, e de nada faltaria para a sua bela princesa.

Mas, como nem tudo são flores, as palavras de Júlio não puderam ser cumpridas a risca, o pai de Laís perdeu o emprego no ano seguinte, já depois de muitos anos de trabalho, a empresa em que trabalhava fechou, e deixou todos sem nada! Claro que este fato foi um choque para a família. Júlio já não era mais nenhum garoto, e sentiu o gosto amargo da guerra que existe no mercado de trabalho na era do capitalismo.

Apesar de tantos problemas causados pela mudança drástica do padrão financeiro, o casal fazia de tudo para manter harmonia, e tinham o  maior cuidado para a “crise” não atingir Laís, e fizeram isso por um bom tempo. No entanto ao longo de dois anos a família precisou fazer alguns cortes drásticos no orçamento, Júlio sentia como se lhe cortassem a alma, mas precisou cortar o balé da menina, e foi aquele drama.

Laís já estava por volta dos seis anos quando soube que não poderia mais frequentar aquela escola de balé tão maravilhosa, que ela fazia questão de ir todas as terças e quintas, e também aos sábados quando possível. A garota deixava de ir viajar, de passear, de fazer qualquer coisa para dançar o seu balé, era como uma doença, era como o ar que respirava. O seu corpo girava em torno de si, e a vida em torno da arte, e daquilo que fazia de bom para o seu coração, e isso era o balé.

- Eu não quero sair do balé! – Gritou Laís em uma mistura de desespero e birra.
- Não temos escolha minha filha. – Respondeu a mãe, com uma paciência que duvido encontrar em outra pessoa deste planeta! A birra de Laís irritava até os pássaros do jardim, só os seus pais não percebiam, mas apesar disso, dessa vez, e por este assunto, Lais não reclamava a toa, e falava de algo que realmente gostava.

- Por favor mãe! – Eu faço tudo o que a senhora quiser! Eu trabalho para qualquer pessoa, pra ter dinheiro, não faz isso comigo! – Gritou a garota exigente.
- Imagine Laís, o balé é muito caro. – Disse Isabel preocupada e surpresa com as soluções que Laís sugeriu para o assunto.

- Eu não quero deixar de dançar! – Respondeu Laís raivosa para a mãe e bateu os pés.  Em seguida começou a chorar desesperadamente.

O pai olhou a cena quase chorando, para ele, aquilo era como se lhe dessem um atestado de invalido ou coisa do tipo. A saída do balé foi muito mais que um simples corte de custos, foi praticamente a ruina da felicidade de uma família. Até então seria difícil imaginar como isso poderia acontecer, afinal era um simples curso de dança! Claro que a garota poderia se tornar uma dançaria dos grandes teatros do mundo, mas também poderia ser só mais uma garota que dança balé até dezesseis anos, e depois começar a fazer qualquer outra coisa da vida. Mas a historia da Laís foi algo incomum, e surpreendente.

Após aquela tarde infeliz e calorosa para todos, Laís ficou muito triste, alias, como era de se esperar. A garota não queria comer, estudar, brincar, nada! Os pais faziam mimos, aqueles que eram possíveis, mas nada da garota reagir, só falava do bendito balé. Passaram-se alguns meses e aquilo que os pais esperavam, ou seja, a conformação de Laís, não acontecia, estavam vendo a hora de a garota adoecer seriamente, já que não comia nada direito, e perdeu alguns quilos depois da decepção.

A tristeza da garota contagiou família toda, parecia não existir mais paz ou alegria no lar de Júlio e Isabel, na verdade não existia mais lar. E mesmo o casal tentado de tudo para não se desentenderam as brigas ficaram cada vez mais frequentes. Isabel não se conformava com o fato de ter largado a sua profissão para ter um lar com Júlio e criar Laís. Dizia: “Agora não tenho dinheiro para pagar o balé da minha filha”! Júlio trabalhava apenas fazendo trabalhos pequenos, era velho para um novo emprego, mas ainda jovem para se aposentar, e não conseguia um fluxo continuo de dinheiro para pagar as suas contas, a vida não estava fácil, e ele muito se lamentava.  

Passado alguns meses Laís ainda não se sentia conformada, e as brigas geradas em torno do assunto ainda aconteciam, mesmo com grandes esforços para isto ser evitado. Até que num final de tarde, Júlio teve uma ideia que julgou brilhante, chegou em casa com um pequeno cachorro, aquilo com certeza seria capaz de alegrar a pequena Laís e trazer um pouco de paz a família. Podemos dizer que o pai de Laís acertou na tentativa, o cachorro de pelos macios e caramelados, realmente deixou a menina exaltando de felicidade. No começo Laís não quis dar bola, mas assim que começou a brincar com o filhote se tornaram amigos, e inseparáveis companheiros. Por um tempo a paz reinou, até Laís se lembrar do balé.

Laís já estava para completar dez anos, e a mãe entrou em seu quarto sem bater, algo que não fazia com frequência, e viu a garota ensaiando de frente para o computador, aquilo despedaçou o seu coração. A menina era birrenta, e chata, e mimada, mas de fato ela amava o balé. A mãe se sentiu triste, como se sentisse a dor da filha, em estar distante de algo tão simples e tão difícil de fazer. “Como é difícil realizar sonhos”! Pensou a mãe. “O que poderia eu fazer por minha filha”.

Isabel logo se prontificou a ajudar a filha, não era possível que não existisse uma bolsa ou algo do tipo para quem fosse apaixonada pelo balé como Laís, ela precisava fazer algo que não a fizesse tão inútil quanto se sentia. Depois de uma longa busca, a mãe enfim encontrou um lugar onde Laís pudesse fazer as aulas, mesmo ficando longe da sua casa, Isabel se comprometeu a levar a filha até a escola.

Laís, como era de se esperar ficou radiante, saltava como uma bailarina ensaiando os passos na sala nas pontas dos pés, a alegria contagiou a todos, até o cachorro saltava de felicidade pelo entusiasmo da pequena adolescente.

Em pouco tempo Laís começou a frequentar as aulas novamente, mas não gostou muito da professora, nem das colegas de palco, dizia que todas eram muito ruins, e que a professora não tinha comprometimento. Sim, isso mesmo, a garota de onze anos usou mesmo esta palavra, “comprometimento”. Laís disse a mãe que a professora tratava a dança como uma distração, como um lazer. E que a mesma não tinha amor à dança, e não sentia a musica tocar as suas veias. A menina estava decepcionada, queria estudar em sua antiga escola, ali a professora lhe ensinara o poder da dança em relação ao corpo e a vida, no seu antigo curso a dançarina lhe mostrara a importância da postura no balé e na vida, e como a mente e o corpo se entrelaçam na dança e na alma. Lá eu aprendi a amar o balé, a música e o meu corpo.

Mais uma vez a frustração aconteceu, Laís continuou a dançar na “escola ruim”, já que não tinha outro jeito, e decidiu que aproveitaria ao máximo tudo o que a professora lhe ensinara, para algum dia, quando enfim trabalhasse voltasse a outra escola e se tornasse uma grande bailarina, e enfim faria os seus números solos. Era o que a menina queria mais que tudo, saber o que uma plateia de verdade poderia causar em uma dança solo perfeita.

Não vendo resultados no que Laís chamava de “Balé amador”, a garota resolveu ir fazer uma visita ao seu antigo balé, queria saber se a sua antiga professora ainda estava lá e se existia a possibilidade de conseguir alguma bolsa ou coisa do tipo. Para a sorte de Laís no dia seguinte haveria uma seleção de garotas para ganhar uma bolsa, a garota se encheu de esperanças, o seu coração ficou descompassado, e ela tinha certeza de que passaria.

Assim que Laís viu outras duas meninas serem escolhidas começou a chorar, ali mesmo no palco, a professora, que já não era mais a sua antiga, chegou perto da menina tentando consola-la e ao mesmo tempo mostrar como era preciso ter força para conquistar sonhos. Laís não se conformava e exigiu explicação da professora.

- Por que eu não posso? Eu sei que sou boa! – Exigiu a menina.
- Você é boa Laís, mas não é excelente, não podemos bancar alguém na nossa escola sendo apenas “boa”. Eu sei de sua historia, a sua mãe veio aqui algumas vezes antes deste programa de bolsas existir. Sei que você é apaixonada pelo balé, mas você ficou muito tempo sem treino, e balé é mais que amor, balé é condicionamento, dedicação... E outras coisas.

- Eu sempre treinei! – Respondeu a menina de forma birrenta
- Sim, percebe-se que você não perdeu o jeito. – Disse a professora com um pouco mais de delicadeza . – Mas é preciso mais que isso para ser uma profissional.

- Se eu tivesse estudado aqui desde aquela época... – Lamentou Laís num suspiro quase inevitável. Em seguida Laís olhou para a professora e disse com animação. – Deixe-me trabalhar aqui, eu pago as minhas aulas. Eu venho aqui de manha, arrumo tudo, limpo, faço qualquer serviço, e assim pago as minhas aulas.
- Que ideia absurda! – Respondeu a professora. – Você precisa estudar.
- Sim. Por favor. – Suplicou a garota. – Eu faço as aulas de sábado, com a sua turma. Eu quero muito ser uma bailarina profissional, este é o único sonho da minha vida, eu penso nisso desde que faço ideia do que é a vida, não me negue esta chance, por favor.

A professora ficou mesmo comovida, e prometeu conversar com as dirigentes e dar a resposta a Laís, como a mãe e o pai da garota autorizaram, ficou acertado que ela faria as aulas aos sábados, e durante a semana ajudaria nas montagens e afazeres da escola. Laís parecia outra pessoa, os seus olho cheios de brilho, nada seria capaz de tirar aquele sorriso do seu rosto. Ajudava com prazer nos afazeres do teatro, passou a ter noção de luz, posicionamento, direção e tudo mais, e tudo isso só a ajudava na hora da dança, no momento em que se sentia feliz, no palco.

Após um curto período, Laís passou a dançar também durante a semana, só pensava em dançar, e o que ela queria mesmo era o papel principal da sua “rival”. Fariam uma grande apresentação dali a alguns meses e a seleção aconteceria em poucos dias, Laís não queria perder, ela não perderia. Mas perdeu. A outra garota ganhou o solo, e mais uma vez, Laís não teria uma plateia só sua.

A rivalidade com esta moça passou a ocupar um espaço importante na vida de Laís, que nem percebera a doença da mãe, que chegara perto de Laís completar quatorze anos, em poucos meses Isabel ficou muito debilitada, vitima de uma doença nos ossos, e logo soube que a filha havia largado os estudos para se dedicar apenas ao balé, o que ajudou na piora do seu estado. Júlio, que de forma alguma queria prejudicar a filha, nada contou no centro de balé, temia atrapalhar ainda mais a vida da menina, já que quando ainda criança não foi capaz de manter ela na escola, para assim ser uma bailarina melhor. E como ele se culpava por isso.

Após uma bela apresentação, a “rival” foi convidada para participar de um grupo de balé Russo, o que deixou Laís cheia de ódio e esperança. A garota decidiu que teria o próximo solo de todo jeito, também seria chamada para um balé internacional. Depois deste episodio Laís começou a treinar freneticamente, praticamente todos os dias e o dia inteiro, se comportava como uma viciada em drogas. O pai se preocupava, mas tinha que cuidar de sua esposa e preferia não contrariar a garota, já que era o seu grande sonho, a única coisa que poderia fazer para ajudar, era não atrapalhar.

Durante um dos ensaios de Laís ela se machucou, aparentemente não era nada grave, e com tantos calos e lesões aquilo era algo comum, isso se a garota cuidasse do ocorrido, é claro. Mas justamente naquela semana viriam os jurados para o próximo projeto solo da escola de balé, e é claro que Laís queria o papel, era na verdade a única coisa que ela queria em sua vida. Na apresentação individual, Laís se saiu muito bem, dançou bem, acima da maioria, mas percebeu que outra bailaria também foi bem, e aquilo a preocupou.

A garota tinha razão, nas contas de bailarinas, Laís já estava velha, não teria muito à evoluir, nesta idade a elasticidade já alcançou todos os cantos do corpo, isto é, para quem treina a muito tempo, portanto, o treino a faria evoluir muito, mas a partir daquilo que o seu corpo permitia. No entanto Laís não pensava assim, e se sentia capaz de derrubar até a maior bailarina do mundo, quando ela dançava, se sentia em plumas, como se flutuasse em algodão, e se ela era capaz de exercitar a mente a tal ponto, de certo o seu corpo o acompanharia. Laís não aceitava derrota alguma, ela dizia a si mesma, “se eu amo tanto fazer isso, é por que deve existir um dom dentro de mim, não será a toa que eu sinto tanto prazer em dançar, e o meu corpo fica tão livre no palco, se eu consigo transcender o corpo através da dança, é por que estou predestinada a ser uma bailarina”.

Diante daquela preocupação, Laís não teve duvidas, percebeu em um dos jurados, um olhar malicioso, baixou a cabeça e correspondeu ao velho, que na verdade não era velho, mas precisamos combinar que diante de uma garota de quinze anos, um homem com trinta e oito não é nada jovem. Ela resolveu tentar de qualquer jeito o que queria, e não correr riscos.

Assim que teve uma oportunidade ficou a sós com o jurado. Não fez nenhum rodeio, já foi dizendo que queria o papel, e que se ele quisesse tirar a sua virgindade já sabia o que fazer. O jurado se fez de surpreso, abriu os olhos arregalados, mas não disse nada. No final da tarde, Laís ganhou o seu papel tão sonhado. No final da noite, pagava a sua divida com o velho, que não era velho, e que foi até bem cuidadoso, ao lhe cobrar o seu pagamento.

Dali a exatos oito meses Laís se apresentaria, não preciso nem dizer o quanto esta menina ensaiava não é mesmo! Era dia e noite, noite e dia, era a coreografia e os ensaios técnicos, a luz e som que ela queria palpitar, e figurino que não estava de acordo com o seu gosto. Era a mãe a cada dia mais doente, o pai agora já aposentado, mas apresentando sinais de depressão, era o jurado querendo sair com ela mais vezes, e ela com o pé a cada dia mais debilitado por não cuidar devido a tanta correria. Laís era tão jovem, e tão adulta, tão descrente e ao mesmo tempo tão confiante.


Enfim chegou o dia da apresentação no maior Teatro da cidade, era coisa grande mesmo, e qualquer palavra que dissesse quanto ao que Laís sentia perto do estomago ou espalhado pelo corpo inteiro, jamais chegara perto do que aquela moça estava sentindo. A única sensação que posso descrever com precisão, é a dor no seu pé de apoio, aquela pequena lesão havia se tornado uma coisa preta, que com os treinos contínuos parecia ter calejado, mas doía mais do que qualquer outra coisa, mesmo assim quando a bailarina estava dançando nem  lembrava ou sentia.

A apresentação aconteceu, com muita sorte Isabel pode comparecer, estava fraca, mas não perderia por nada aquela apresentação, ela sabia bem o quanto significava para a filha tudo aquilo. Júlio estava emocionado, assim que a menina pisou no palco ele começou a chorar. E foi mesmo emocionante, Laís parecia estar possuída por um espirito flutuante, a sua alma parecia saltar em seu corpo, e em seus rodopios, foi delirante de assistir e viver aquilo, todos os presentes sentiram a mesma energia, era algo surreal.

Assim que acabou, vieram os aplausos, e como Laís se orgulhou, aquilo era muito mais do que ela imaginava, sentiu o seu corpo arrepiar em cada centímetro, a sua alma sorriu de alegria, e como era bom sentir aquela sensação sublime de felicidade. Era melhor do que ela pensou que seria algum dia.
Passado o fervor do palco, ainda no camarim Laís sentiu algo estranho no pé, ela sempre sentia dor após o treino ou a apresentação, mas naquele dia não sentiu, era como se não sentisse nada, sem a dor habitual, e nem a dor de morte que costumava sentir depois que fraturou o pé. Laís se \ levantou e não conseguiu ficar de pé, caiu ao chão e pra piorar machucou o rosto. Foi um desespero, logo a bailarina estava no hospital, e todos preocupados com o seu estado.

Naquela noite, foi a primeira vez que eu vi alguém vivo receber a noticia de que estava morto. Não consegui até hoje descrever algo de tamanha natureza, eu não sabia que poderia existir algo tão gigantesco em suas proporções de dor e felicidade ao mesmo tempo, quase que juntos, mas aconteceu. O medico, portador da tal façanha chegou com o olhar tranquilo, imagino que nem de longe conhecia a historia de Laís, com certeza ele não conhecia. Assim, com tranquilidade inadmissível para o assunto, ele disse  que após a fratura não cuidada de Laís, a bailaria teria parte de seu pé amputado.

Laís morreu tão jovem e tão bela.

Não! A garota não teve a morte a que estamos acostumados comentar, nada de enterro e flores, o caso foi ainda muito mais sério. Laís perdeu a parte mais bela da sua vida ainda naquela madrugada.
Então me diga como é possível alguém viver sem sonhar? Sem acreditar em algo além do óbvio, sinceramente eu não consigo pensar em morte pior que esta. Como alguém viveria sem a única parte que torna a vida possível? Laís morreu para os sonhos, para o sorriso, para o amor a vida, aquilo que pode existir de singular em alguém, nela não existia mais.

Talvez você viva o sonho, ou ele mate você, talvez o tempo nos ensine a entender aquilo que devemos viver, ou fazemos como Laís, vivemos até onde é possível vivê-lo. E é só.





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